"Não somos nós que vivemos do amor,
o amor que vive de nós."
Teu sorriso tem o brilho de mil Sóis. Suponho que Deus, arrependa-se todos os dias por ter dado-lhe tanta audácia de ser; ser mar, ser neblina de verão, ser por ser, ser meu. O teu ser que torna-me dependente do beijo que me imploras, do olhar que me dás. Que Torna-me vulnerável a inveja de quem é incapaz de possuir o teu ser. E é desse jeito que entrego que te possuo. Entrego-me quando me rendo a tua existência, quando confesso que o Sol que me aquece, me repudia ao saber que tu brilhas mais que ele. Mas, amor, há tempos que não sinto teus raios incidindo sobre mim. Há tempos que tua luz não faz-me transbordar minh'alma. Faz tanto tempo, amor, que estou começando a perder o costume de chamar-te assim. Até o costume de chamar o "nós", mesmo que esse seja o plural do nosso "nó", mesmo que tudo tenha deixado de ser laço. O nosso laço passou a ser nó, amor, quando eu (sempre sou eu a culpada de tudo) desvendei o enigma do teu olhar. Quando passei a imitar a melodia do teu riso. E lamento dizer que não suportarei, anjo. Sei que achas que sou mais que parede, sou muralha. Mas a verdade é que nunca pude ser ao menos cercado. Limito-me a passar os dias sussurrando baixo teu nome. Pedir, quase que implorando, para sentir o calor do teu afago. E não sei, e nunca saberei o que fazer para que cessem as lágrimas. Noite passada foi a pior de todas, nem tua prima Lua apareceu para contar-me tuas peripécias. Estou tão desanimada que não deixo nem o Sol me ver, para que não me zombes por tua ausência. Mas anseio o dia de tua chegada, amor. Quando o Sol, finalmente, se sentirá inferior. Quando teus raios tocarão minha pele mais uma vez. Espero arduamente a chegada de meu segundo Sol, que realinhará as órbitas dos planetas.

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