segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Há duas cadeiras, mas só uma delas está ocupada.

Ísis,
Vinde avisar que não mais escreverei cartas a ti. Não posso mais ver minhas palavras mal arranjadas jogadas ao vento como fragmentos de poeira. Sentimentos não são migalhas que se jogam aos pombos. Assim eu desisto do que me ensinastes a fazer: amar-te.
Lembro-me como se fosse hoje; Escrevi as palavras mais belas de minha vida em um mísero papel rasgado. Só havia um pedacinho, e nesse pedacinho dei-lhe o mundo. E você me retribuiu jogando-o no lixo. Eu de poeta, fiz-me clichê. Eu não me atirei do penhasco, amor. Foi ele mesmo quem desabou. Foi culpa sua. Você fez da minha brisa furacão. E eu passei a ser menos que o próprio ser. Você me mostrou que não tenho importância nenhuma para Deus e seu céu estrelado. Céu o qual eu desenhei. Desenhei e presenteei-a. Foi minha morte por amar demais. Agora, chovo toda vez em que releio um trechinho da minha carta que não-mais-enviarei:

"Meu Sol desaparece às sete da manhã, amor, quando você se despede de mim dizendo "Eu volto. Volto até que minhas roupas vistam o seu cheiro." E, meu bem, eu lavava suas roupas para que isso nunca acontecesse e você nunca deixasse de vir. Fujo todos os dias do nosso ninho às 00:40, tudo cedo, enquanto você dorme só pra dar tempo da roupa enxugar. Fazia isso na esperança que você se tornasse dependente de mim."

E para meu desespero, Ísis, você nunca dependeu de mim. Nem queria. Você é livre como passarinho, voa e volta quando quer e não quando eu preciso. Eu sou sua gaiola. Aquela que sufoca e que aprisiona toda a vida existente. Sou tudo o que você despreza. A melancolia, um laço construído pelo amor. Mas eu a entendo, meu bem, você se esconde atrás dessa máscara de viver para nunca ser vivida, só porque tem medo de ser jogada do abismo como me jogastes.
Você vai acabar tornando-se inalcançável por ser incapaz de ser dominada por um amor.


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