“De tudo ao meu amor serei atentoAntes, e com tal zelo, e sempre, e tantoQue mesmo em face do maior encantoDele se encante mais meu pensamento.”
Deu saudades, amor…
É tudo diferente agora, Dirceu. Muita coisa mudou desde que você se foi. Você passou a ser somente um borrão, sua risada virou musica ultrapassada, e seus olhos são apenas pisca-piscas que brilham á noite. E tudo isso contraria as nossas juras. Talvez eu ainda te guarde dentro de mim, só tenha me desligado de tudo o que me lembra você, ou tenha me acostumado com a dor. Talvez tudo isso só esteja esperando algo para voltar como uma chuva de verão, que surpreende a todos e mesmo sendo indesejada, agrada.
Todas as manhãs, no horário em que acordávamos e no mesmo lugar em que admirávamos a beleza do balançar das árvores, eu o espero. Mesmo sem esperanças, mesmo não querendo lembrá-lo. No final do dia eu procuro entender porque você teve que ir e eu tive que ficar. Não há explicação, creio eu. Você apenas foi, e eu não tive coragem de acompanhá-lo… E você sempre me criticou por ter esse tipo de medo comigo. Medo do novo. Mas você nunca conseguiu entender, não é mesmo? A verdade é que você, mesmo sendo igual, conseguiu ser novo todos os dias da minha vida. E, meu bem, eu nunca tive medo disso.
Houve um tempo em que eu achava que seriamos eternos, e no final não conseguimos. Agora eu sei que a nossa eternidade não está em ficarmos juntos e sim em lembrarmos sempre de tudo o que vivemos. A questão é que eu tive um amor, e foi imenso. Eu vou reencontrá-lo outra vez mas até lá, nossa eternidade ficará limitada a recordações.
“Eu possa me dizer do amor (que tive):Que não seja imortal, posto que é chamaMas que seja infinito enquanto dure.”
Eterna por ser sua.
Marília.
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